Limites
8 de março de 2017

É unânime ouvir de educadores, pediatras, que toda criança precisa de limite.

Afinal, o que é isso? Para que Serve ? Com que idade deve ser imposto ? Deve ser imposto ?…

São muitas questões que envolvem este tema…

Limite é uma experiência afetiva que atinge tanto pais quanto filhos. Ninguém sai ileso. Pode ser difícil mesmo dizer um “não” a uma criança, principalmente quando ela é bem pequena. Sentimos pena, hesitamos e, às vezes, acabamos cedendo. A criança percebe tudo, inclusive nossa insegurança.

Para criar os filhos não tem receita pronta. A configuração das famílias mudou, é o que podemos chamar de família “mosaico” e as referências ficaram mais diluídas entre família, amigos, escola e, principalmente a mídia. O imperativo é que tudo pode! Pais não têm mais a autoridade de antigamente, mas é necessário a retomada do controle: Quem manda ? Quem não se lembra ou nunca ouviu falar que antigamente, bastava um olhar do pai/ mãe para que a criança percebesse o descontentamento de sua ação ?

É pela palavra que devemos construír as regras junto aos pequenos. Se eles são informados, é legítimo cobrá-las e exigir que sejam respeitadas. Devemos, nós adultos, entender que o limite é para o bem da criança, essa compreensão deve estar sempre presente em nossos pensamentos, caso contrário, de nada adiantará impor regras.

Paciência, autoridade, persistência e determinação são apenas algumas virtudes que os pais precisam para educar e garantir o respeito dos filhos de forma responsável e segura. Não tenha medo de impor regras e limites para a criança desde pequena, pois isso é fundamental para que elas se tornem adultos responsáveis e que primam pelo respeito. Ou seja, pode ser difícil, mas é um serviço com resultado a médio e longo prazo. Acostumar a criança com este processo logo cedo vai fazer com que ele respeite você e suas ordens em todas as etapas de sua vida. Comece impondo regras relacionadas a horários e estabeleça uma rotina, fazendo tudo do mesmo jeito, todos os dias. Mesmo os pequenos já compreendem o que você diz e as regras que impõe. Não subestime seu diálogo a criança. Olhe nos olhos da criança e diga com firmeza no semblante e na voz o “não” que precisa ser dito. Dê uma explicação rápida e clara sobre a necessidade do limite. Deixe claro que a sua reprovação tem a ver somente com a atitude e não com seu filho. Todavia, não fique repetindo, explicando demais o motivo do limite que você colocou. A criança pequena não agüenta longas explicações. Ela é mais de ação do que de palavras.  É falar uma vez e o tom da sua voz faz toda a diferença.  É fundamental que você passe para ele segurança e tranqüilidade. Tome cuidado para não cansar a criança e estimulá-la a quebrar a regra para ver o que acontece, ou seja, conferir se você realmente cumprirá aquilo que tanto repete. Mostre que a palavra final é sua, mas não seja repetitiva.

Ao sustentar o limite que você colocou para a criança e ela sabe o porquê, você passa a segurança e confiança que irão ajudá-lo a vencer a frustração do “não”. Para as regras não tem negociação. Cumpri-las significa transmitir para a criança o cuidado e a responsabilidade com a moral, os valores, a saúde e a segurança, muitas vezes, até de outras pessoas. A criança passará a respeitar mais suas determinações ao perceber que você realmente tem a intenção de cumprir a pena prometida. Fique atento às regras estabelecidas para que não seja pego de surpresa no momento de aplicá-las. Repense os limites para que eles façam sentido no momento em que for necessário conversar com a criança sobre eles.

Os pais devem ser o exemplo e isso é fundamental para a fixação do aprendizado. Mas isso não significa que os pequenos também têm o direito de ditar regras. Mantenha atitudes coerentes em relação às regras. Não desista no meio do caminho do que foi combinado, ou vai perder a credibilidade com as crianças. Garanta com que os limites impostos estão de acordo com a vida cotidiana da família para que todos colaborem com o processo. Mantenha o pulso firme.

A criança vai se constituindo através das referências que os pais passam para ela. Imagina como o filho vai se sentir ao perceber que, ao não cumprir as regras, fica tudo bem. Isso pode ser muito perigoso! Lembre-se, nada é sem conseqüência A autonomia é responder pelos próprios erros e sua construção é um processo, nunca para, nem quando adultos. Que tipo de perda seu filho pode ter é você quem vai decidir, claro que com coerência. A  punição não deve durar muito tempo ou ser permanente. Para aprender com essa lição, a criança deve estar ciente do motivo pelo qual foi punida. Se o castigo for por tempo indeterminado, chegará um momento em que ela não lembrará mais a razão de estar sendo punida e se sentirá injustiçada.

Finalmente, é importante compreender que : A falta de limite resulta em criminalidade, frustrar é altamente saudável, a falta de limite é o pior estado de angustia, ao estabelecer um limite é preciso sustentar, a frustração é necessária para constituição do ser humano. Então pense nisso tudo e mãos a obra…

Fonte: Como Educar os Filhos e Colocar Limites